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Galeria das Salgadeiras

“Very Typical”
Tiago Casanova

“Na Natureza nada se cria, nada se perde. Tudo se tranforma”, assim proclamava Lavoisier no século XVIII. Vivemos com este ensinamento desde então, esquecendo-nos, porém, ou para não ser radical ignorando, que do Homem se espera que essa transformação tenha como objectivo maior e nobre a melhoria de condições para o colectivo, para a Humanidade. Assim também o esperamos de uma cidade, que à medida que anos e as vontades passem, esta se vá transformando para acolher cada vez melhor os seus, moradores e turistas, seja breve ou duradoura a sua passagem. E disso depende a estratégia política e força da cidadania. A arte, na sua abordagem mais etnográfica, pode contribuir para uma reflexão sobre a contemporaneidade e os problemas que ao Homem se colocam.

 

“Very typical” de Tiago Casanova enquadra-se nas suas preocupações com a identidade do território, a memória colectiva de um lugar, o carácter simbólico das “coisas”, e é, na realidade, e com o que de “real” a arte, mesmo a fotográfica, consegue exprimir, uma alegoria de uma Lisboa que, por razões endémicas, políticas, sociais e, quiçá sobretudo, económicas, se foi metamorfoseando, em que a tradição de tão massificada se esvazia de significado, onde o espaço para a vivência local da própria urbe se aparta dos seus centros, reservados a uma visita de tuk-tuk. “Very typical” é o reflexo de uma atitude crítica, sendo um acto de revolta a tentar sugerir alguma ordem no caos, para que Lisboa continue a ser a nossa, de todos, “menina e moça”.

 

 

Ana Matos

 

Inauguração

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