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Casa da Imprensa

Fónix
Nuno Saraiva

 

No fundo, é isto: saímos à rua e as coisas surgem-nos indistintas, como se habitássemos um triste nevoeiro. Mas logo alguém nos ultrapassa para desenhar o contorno do que vemos. Com se fôssemos todos ceguetas, pitosgas, que tudo mora no bairro da oftalmologia. O Nuno Saraiva (Lisboa, 1969) anda há décadas – e são já mais do que a conta – em páginas de fanzines, de jornais e revistas, mas também em muros e outras peles (boxes de tinto, cartolina de jogos, etc.) a desenhar o que vemos. Melhor: o que devíamos estar a ver e que a cegueira não permite. O seu traço, herdeiro de Bordalo e Stuart, parece bailarina a riscar o mapa do corpo e da cidade. A riscar? Não, a rasgar! Ninguém como ele abre feridas que comunicam, figuras oriundas do desenho de humor com as do fado, as mais eruditas com as tatuagens, as da História com a anedota de bairro, as da poesia com o cricket da querida e triste Mouraria, as da mulher voluptuosa com a mãe dos filhos. Esta exposição, oriunda da Festa da Ilustração, em Setúbal, mostra, pela primeira vez, um con- junto de trabalhos que permite perceber que todas as margens sul vivem paredes meias com o centro desta cidade. Qual cidade? Qual margem? A da noite e da música, desde que tenham gente dentro. Gente feita de todas as cores, as mais básicas.

Inauguração

Casa da Imprensa
Rua da Horta Seca 20 r/c
1249-185 Lisboa
213 420 277


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