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Espaço Ginjal
Helena Gonçalves

O Sublime, tal como o Belo, enquanto categoria estética, tem sido alvo de inúmeras definições consoante os tempos e as circunstâncias. Para falar deste “Espaço Ginjal” de Helena Gonçalves recupero uma delas, a do ensaio “Do Sublime” de Schiller, datado de 1973: “um objecto relativamente ao qual somos fisicamente frágeis enquanto que moralmente nos elevamos para além dele através das ideias”. Este espaço, já em fase de abandono, perante o qual sentimos o peso da impossibilidade do que foi e já não é, surge aqui, através do olhar de Helena Gonçalves com uma nova existência, esta, sim, eterna. Desde logo, porque esta é uma característica de qualquer objecto artístico, a sua perenidade. Porém, mais que isso: ao fixar uma realidade num instante (nem sempre decisivo), imortaliza-a na memória de quem a recebe. A partir destas fotografias, apropriamo-nos dessa “história” e construímos outras estórias, conduzidos pela luz com que Helena Gonçalves percorre o espaço, induzindo, assim, a passagem do tempo.

De forma autoral e assumidamente subjectiva, a luz congela ou arrasta fragmentos deste espaço, aparentemente, encenado. Sucede que, embora “luz”, no seu sentido figurado, seja sinónimo de “verdade”, aqui assume uma outra formalidade de onde resulta o carácter sublime destas fotografias: vemos para além do visível, da dimensão do “representável”. Aquilo que não é mostrado é tão, ou porventura até mais, importante do que é iluminado.

A Galeria das Salgadeiras foi criada a 4 de Julho de 2003 e actualmente representa os artistas Cláudio Garrudo, Helena Gonçalves, Jaime Vasconcelos, Joanna Latka, Marta Ubach, Pauliana Valente Pimentel e Teresa Gonçalves Lobo.