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Galeria Cisterna

Carnis Color
António Gonçalves

“Assim pois, pintar o desejo, o corpo ou a carne desejante, seria ao mesmo tempo pintar, metaforicamente pelo menos, a força não psicológica que faz pintar: a imagem pictural seria aqui uma auto-imagem do pictural, a pintura do desejo a expressão especular do próprio desejo de pintura, pintura-speculum, pintura ou, antes, a sua «vontade», ao espelho.”

(Sousa Dias, Teologia da Carne, Documenta)

Ao exercício de dar a ver, a existência da luz é imprescindível, assim como também para a nossa percepção da cor. Para dar a sentir, a existência da carne é indispensável. Será por ventura a práxis da pintura, uma incursão no mistério da cor da carne, no silêncio que a habita e que nos alude à contemplação. Da cor emana vibração, energia, emoção, tal como da carne emana vitalidade, desejo e morte. Pela pintura, seremos capazes de indagar propósitos que ambicionem sustentar tão ambicioso desígnio, quanto o de tonar visível. Haverá um desejo insustentável de acepção, existirá uma carne que nunca teve forma, sobrevirá uma cor que nunca foi desvelada, contudo, assumir pintar como forma de pensamento, é por si, um gesto de humildade e dedicação ao sentido mais primário da vontade de revelar o mistério.

António Gonçalves

Exposição

Galeria Cisterna
Rua António Maria Cardoso 27
1200-026 Lisboa
www.cisterna.pt