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MNAC – Museu do Chiado

Vanguardas e Neovanguardas na Arte Portuguesa Séc. XX e XXI | A sedução da Modernidade | DECADANÇA

Vanguardas e Neovanguardas na Arte Portuguesa Séc. XX e XXI

 

Coleção de arte portuguesa dos séculos XX e XXI que permite uma vi- são abrangente e qualificada sobre os processos da Modernidade e da Pós-Modernidade em Portugal.

 

Curadoria: Rui Afonso Santos

 

A sedução da Modernidade

 

A exposição Sedução da Modernidade incorpora as obras oitocentistas mais significativas da arte portuguesa só acessíveis no acerco do MNAC.

 

Curadoria: Maria de Aires Silveira

 

João Leonardo – DECADANÇA

 

A produção artística de João Leonardo tem conhecido diversas estratégias de consumação mas tem-se mantido fiel a um núcleo essencial de assuntos: as políticas do corpo, o controlo social e a identidade atravessam decisivamente esta produção que vista mais de perto revelará ainda uma dissecação mais específica dos temas do vício, da compulsão e da ideia de decadência.

Esta linha de trabalho materializou-se decisivamente na utilização artística mais sistemática que João Leonardo vem fazendo dos cigarros que fuma, agindo como um recolector do seu próprio desperdício, tornando-o sintomático de circunstâncias biográficas e emocionais ou gerando com ele imagens paradoxais.

O fumo regressa na mostra que João Leonardo agora nos oferece mas com uma presença mais subtil e capaz de iluminar o perfil do seu percurso anterior. A apresentação é composta por duas peças que estabelecem uma evidente relação dialética: no vídeo “Un portugais, c’est un autre portugais” Leonardo recupera uma entrevista radiofónica dada pela escritora francesa Marguerite Duras em 1976. O artista resgata o conteúdo verbal e o som original: ouvimos os cigarros que Duras fuma ininterruptamente, mas também o som do gelo no copo de whisky, a espessura da voz, a respiração, vestígios de características idiossincráticas de Duras, que não vemos nunca. A única referência visual no vídeo é o movimento do fumo e os seus torvelinhos hipnóticos no espaço ao longo do tempo de um cigarro poisado num cinzeiro colocado fora de campo. Trata-se de uma dança lenta e sem destino tão evanescente e desmaterializada que contrasta com as palavras de Duras repletas de questionamentos e perplexidades. O artista intervém pela tradução e dramatização pessoal do texto, uma espécie de duplicação fantasmagórica que reforça a tese implícita nas palavras da escritora francesa: a impossibilidade de um auto-retrato e de uma definição pessoal quer pela obra, quer pela soma das condições identitárias pessoais e políticas.

Esta peça deve ver-se em franca sintonia com a escultura-imagem que dá título à exposição. Nela encontramos dois dos livros mais canónicos do século XX (respetivamente “A interpretação dos sonhos” de Sigmund Freud e “O capital” de Karl Marx) que Leonardo junta num aquário, submersos em… whisky. Referência direta à decadência dos modelos sistémicos explicativos da realidade que formataram o século XX e às aspirações emancipatórias, bem como aos desígnios artísticos a que se associaram, “Decadança” não é tanto uma ironia iconoclasta como um manifesto pela essencial impureza do gesto artístico.

MNAC – Museu do Chiado
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