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Apresentação 9ª edição de 2018


Coincidências?
Não serão antes ligações, criações e cruzamentos?

No momento em que me sento a escrever e procuro inspiração, deparo-me com o livro “Obras Completas – Vol.I – Poesia” de Almada Negreiros, editado pela Imprensa Nacional em 1985, cuja capa é a reprodução de “Lendo o Orpheu” de sua autoria. Horas antes, à saída do Jazz em Agosto, havia re-encontrado esta mesma obra em tapeçaria na Fundação Calouste Gulbenkian. Coincidência. Abro o livro numa página ao acaso e deparo-me com o poema “os ingleses fumam cachimbo”:
O nono cachimbo
Era a fingir, era a fingir cachimbo,
Tinha uma surpresa de Carnaval!

Pensei nas inúmeras e infinitas relações que criamos quando lemos um livro, vemos um filme, vamos ao bailado, escutamos música ou vemos uma obra de arte. Relações casuísticas que nos transportam para outros lugares e outros tempos.

A edição de 2018 do Bairro das Artes, com a maior e mais eclética programação desde a sua primeira edição, fruto do empenho dos agentes culturais, galeristas e artistas que se associaram à iniciativa, pretende contribuir para que a arte contemporânea seja cada vez mais uma marca da nossa cidade. Cruzando os territórios da Arte Contemporânea, criando experiências aos públicos que visitam este Bairro das Artes, ponto de encontro, nunca de partida nem de chegada. Da pintura à fotografia, da joalharia à arte no espaço público, uma das fortes presenças que salientamos nesta edição, são diversas as propostas que aqui se apresentam.

E assim esperamos que esta nona edição do Bairro das Artes, organizado pela Associação Isto não é um Cachimbo, que se inspirou em Magritte, e descobriu no Almada a surpresa, seja um momento de inspiração e fruição da arte contemporânea na cidade de Lisboa.

Ana Matos
Cláudio Garrudo
Agosto de 2018